Dicas de compra

By alfafnm

Quando comprar um caminhão o que você deve saber.

 Em primeiro lugar, verificar a documentação e se o número do chassi confere e está corretamente marcado.  

Perguntas a serem feitas quando for comprar um caminhão restaurado, ou a restaurar:

1) A procedência do caminhão.

1.1) Dê prefêrencia a caminhão que esteja há vários anos com o mesmo proprietário, isto costuma indicar um zêlo maior com o veículo, bem como o cohecimento da história do veículo.

1.2) Questione outros proprietários/colecionadores sobre a origem do caminhão a ser comprado, pode ser que já o conheçam e tenham informações a seu respeito.

2) A Nota Fiscal.

2.1) A garantia de diversos ítens é fundamental, muitos devem ter a garantia de compra e procedência. Fique atento à numeração do motor e do chassi.

3) Quanto ao motor:

3.1) Peça as notas da retífica do motor, é importante saber onde ela foi feita e se tem garantia.

3.2) Cheque as medidas do cabeçote (110,109,108): um veículo restaurado deve ter a medida maior possível, pois atualmente a reposição de um cabeçote de boa qualidade e medida é uma tarefa árdua.

3.3) As medidas do Virabrequim: é fundamental conhecer as medidas, o normal e aceitável é até 0,40; acima disso, não é bom.  Verificar também as medidas das bronzinas de biela.

3.4) Conferir o alinhamento de biela (de prefêrencia as bielas maiores) – isto é a garantia que o motor terá força suficiente, pois a falta de alinhamento acarreta atrito na camisa/pistão e a conseqüente perda de potência.

3.5) Os pistões, as medidas de cubagem de 95ml.  Em veículos restaurados o ideal é a utilização de pistões de boa qualidade; ainda existem no mercado pistões novos para substituição, com as medidas corretas.

3.6) Tipo de junta de cabeçote utilizada – prefira as italianas, ainda são vendidas.

3.7) Medidas de disco de embreagem e platô:  isto é muito importante na hora de fazer o bruto trabalhar/rodar, não aceite patinações.

3.8) Sede e guia de válvulas – estas jamais devem ‘cair’ em um caminhão restaurado;  normalmente quando isto ocorre, é devido a cabeçotes recuperados em desmanches, sem o devido processo de retífica.

4) Câmbio e Diferencial.

4.1) Não utilize câmbio jateado (todo branquinho e bonito), pois com 6 meses as porcas enferrujam, e caem com o passar do tempo. Isto acontece devido ao fato de o jateamento retirar a têmpera e a proteção à ferrugem;  além disso, existe o risco de entrada de resíduo de granalha ou de areia na caixa de câmbio.

4.2) Diferencias – As boas combinações são:  o ‘médio’ completo e o ‘longo’ completo. As engrenagens cilíndricas são maiores e resistem mais ao uso, já as engrenagens cônicas de medida longa são caras e raras.  Os diferenciais ’semi-médio’ ou ’semi-longo’ podem serem bons para trabalho, mas não para coleção (muito lentos).

4.3) O ronco da primeira marcha indica engrenagem usada.

4.4) O ronco da marcha à ré, indica o trem da ré gasto;   é uma engrenagem muito cara.

 

5) Os tambores de freio.

5.1) Quanto aos tambores de freio, também existem medidas mínimas para seu perfeito funcionamento.  Verifique junto a seu mecânico o tipo freio em uso em seu FNM, que pode ser ‘faixa larga’ ou ‘faixa estreita’, conforme o ano/modelo.

6) Funilaria e pintura.

6.1) Procure saber o tipo de massa utilizada em sua preparação. As massas plásticas podem ínvalidar em pouco espaço de tempo o serviço de restauração. Uma boa dica é ver as rachaduras na pintura, pois elas indicam material de má qualidade. Se possível, peça fotos do veículo tiradas durante a fase de restauração.

6.2) Tipo de tinta utilizada - dê preferência ao PU catalizado de boa marca.

7) A fumaça.

7.1) Quando frio, o motor produz uma pequena fumaça que desaparece em pouco tempo. Isso énormal. Não há necessidade de ‘esquentar’ o caminhão para a fumaça sumir.

7.2) O caminhão, quando autuado pela CETESB ou outro orgão de cada estado, é exigido o Certificado de Controle de Emissão de Gases, fornecido por uma oficina de bomba injetora (normalmente quando uma bomba é revisada, deve-se pedir tal certificado - isto evitará transtornos maiores).

7.3) Quando a fumaça persistir, uma forma de ’eliminá-la’ é fechando o débito da bomba injetora, porém o caminhão não irá desenvolver e a qualquer subida vai requerer uma marcha mais ’forte’.

7.4) Caminhão que pega fácil – isto nem sempre é bom sinal, pois pode indicar um motor já com peças gastas. Normalmente um veículo recém-restaurado pode demorar um pouco a pegar devido as peças estarem novas, e também devido ao seu ajuste inicial.  Lembre-se que antigamente o ferramental não era tão preciso quanto os modernos e que existia a fase de ‘amaciamento’ dos motores.

8)- Cardã.

8.1) O cardã não deve ter ‘pequenos relevos parecidos com furos’: estes indicam que ele foi reutilizado e pode voltar a vibrar em pouco tempo.

8.2) Cruzetas - não podem apresentar folgas e as luvas devem ser justas, pois isto dará uma vida longa ao conjunto motriz.

 

As dicas acima foram observadas durante os últimos 8 anos de restauração de caminhões FNM, ao longo dos quais tivemos o dissabor de contratar os serviços de diversos profissionais ‘espertos’.

 

9.) CONJUNTO  – Se o caminhão visado para compra ainda não tiver sido previamente reformado ou restaurado, procure observar o seguinte:

       9.1) Mecânica – De uma forma geral, a mecânica não é determinante, pois ainda há razoável disponibilidade de peças novas e usadas para recompô-la (principalmente para os modelos D-11.00 e 180/210/190;  já para os D-9.500, é muito difícil! );

       9.2 – Chassi – Não deve estar torto, alquebrado e sobretudo não deve apresentar emendas e sinais de adulterações “suspeitas”; 

       9.3 – Rodas e Pneus – Sem problema, fáceis de conseguir/substituir;

       9.4  – Cabine – Esta é a parte MAIS IMPORTANTE na escolha de um caminhão a ser restaurado!!  A cabine pode ter os vidros quebrados, pontos de ferrugem e até algumas partes mais corroídas, mas ela deve estar simétrica e alinhada, não devendo jamais estar empenada, ‘mexida’ ou modificada;  e deverá, preferencialmente, apresentar o máximo possível de originalidade nos detalhes.  Não por acaso, a reforma da cabine e a reconstituição de seus detalhes e acessórios, é a parte mais difícil e cara de uma restauração.  Além disso, é difícil encontrar um bom latoeiro/lanterneiro,  e mais difícil ainda – ou quase impossível – achar um que efetivamente cumpra o prazo inicialmente acordado para a execução da reforma…

E um último lembrete:  evite comprar um veículo cuja mecânica ou lataria foi modificada ou modernizada, com a adaptação de partes, peças e equipamentos de outras marcas;  essas modificações costumam resultar em mudanças mais ou menos profundas na estrutura e na disposição dos demais componentes, e são normalmente complicadas e difíceis de se reverter – ou seja, um “garantia” de dor de cabeça futura, além de um considerável custo extra.

Boa sorte!!